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Quem é Paulo Eduardo – O CEO da Trignosfera?

Quem é Paulo Eduardo, o CEO da Trignosfera?

“Sentámo-nos com Paulo Eduardo, CEO da Trignosfera, para perceber…”

Paulo Eduardo CEO Trignosfera

Há histórias de empresas que nascem em salas de reuniões, com planos de negócio bem definidos e investidores à espera.
A da Trignosfera não é uma delas.
Nasceu de uma paixão por tecnologia que começou com um Sinclair ZX Spectrum a cassetes, passou por fóruns de hardware, por um programa de televisão da RTP, por uma sociedade mal gerida numa folha de Excel — e só depois chegou aos servidores. Sentámo-nos com Paulo Eduardo, fundador e CEO da Trignosfera, para perceber como tudo começou, e para onde vai a seguir.


De Sintra a Elvas

Antes de falarmos de tecnologia, conte-nos um pouco sobre si. De onde é?

Paulo Eduardo CEO Trignosfera

Nasci na Vila de Sintra, a 28 de julho de 1980, e foi lá que vivi até 2018.
Sintra sempre foi uma terra especial — a serra, a proximidade com Lisboa, aquele ambiente meio boémio meio histórico.
Mas em 2018 tomei uma decisão que muita gente da minha idade, naquela altura, não estava a tomar: mudei-me para Elvas.

Porquê Elvas, especificamente?

Paulo Eduardo CEO Trignosfera

É a terra da família da parte da minha mãe.
Sempre tive uma ligação forte a esta zona do Alentejo, e queria estar mais próximo dessa parte da família. Mas não foi só isso — queria também viver um ritmo diferente.
Em Sintra, mesmo sendo uma terra com charme, vive-se ainda dentro da lógica da Área Metropolitana de Lisboa: trânsito, pressa, o corrupio do dia a dia.
Elvas deu-me o oposto disso — a tranquilidade da província, um ritmo mais humano, sem deixar de conseguir gerir uma empresa que serve clientes por todo o país.
Foi uma das decisões mais acertadas que tomei, tanto a nível pessoal como profissional.


Das cassetes do Spectrum às placas gráficas mais cobiçadas.

Vamos então à sua história com a tecnologia. Como começou tudo?

Comecei muito novo, com um Sinclair ZX Spectrum 128k +2 — daqueles a cassetes, em que carregar um jogo era um ritual de vários minutos de bips e chiados.
Foi ali que conheci dois mundos que nunca mais me largaram: o dos jogos e o da programação.
Aprendi a programar em BASIC ainda miúdo, a escrever pequenas rotinas, a perceber como aquela máquina “pensava”.
Depois disso, a minha juventude dividiu-se entre dois caminhos que na altura pareciam quase opostos: os PCs e as consolas.
Do lado dos PCs, passei pelos IBM PS2, pelos 286 e 386 — as máquinas que definiram aquela geração.
Do lado das consolas, comecei na Mega Drive da Sega, e fui depois evoluindo para a Saturn e mais tarde para a PlayStation.

E foi nessa altura que a sua paixão por hardware de PC realmente se aprofundou?

Exatamente. Enquanto jogava nas consolas, o meu interesse pelos PCs não parava de crescer.
Comecei a mexer nos 486, nalguns Pentiums, até que comprei um 486 DX4 a 100MHz da AMD — uma máquina que, para a altura, era bastante respeitável.

Foi precisamente nessa fase que começou a falar-se da revolução do 3D nos computadores pessoais.
E eu quis estar lá, no meio disso, a acompanhar tudo de perto.
Tive acesso aos primeiros aceleradores gráficos a sério — a S3 ViRGE 64, que muitos hoje recordam com uma certa ironia, porque prometia mais do que conseguia entregar.
Depois veio a 3dfx Voodoo, essa sim uma verdadeira revolução, a placa que mudou para sempre a forma como se jogava em PC.

Mas não fiquei por aí. Fui atrás de tudo o que havia de mais interessante e diferente no mercado: a arquitetura alternativa da PowerVR, com a PCX1 e depois a PCX2; as Matrox Millennium e Mystique, conhecidas pela qualidade de imagem 2D impecável; a S3 Savage 2000, que tentava competir num mercado já dominado por outros; e claro, a Voodoo 2, que muitos de nós até chegámos a montar em SLI, duas placas a trabalhar em conjunto, algo raríssimo na altura.


Snakeboy, o Último Nível, e a ascensão do Lord Paulus Cobris.

Foi também nessa altura que se tornou conhecido publicamente, com o nickname Snakeboy?

Sim. Com esse nickname, cheguei a participar no Último Nível, um programa da RTP dedicado a videojogos e tecnologia, e venci o desafio semanal.
Hoje pode parecer um detalhe pequeno, mas naquela altura, ganhar visibilidade num programa de televisão nacional, dedicado a um nicho que a maioria das pessoas nem percebia bem o que era, dava um estatuto quase lendário dentro das poucas comunidades digitais que existiam.

E depois surgiu Lord Paulus Cobris.

Sim — a identidade evoluiu. Com a expansão da internet, os fóruns tornaram-se os verdadeiros quartéis-generais da informática em Portugal, e foi aí que nasceu o Lord Paulus Cobris. Foi uma fase intensa: as chamadas “guerras de lojas” nos fóruns, onde se discutia ao pormenor qual loja nacional tinha o melhor hardware, aos melhores preços, com os prazos de entrega mais curtos.
Eu tinha uma personalidade forte nesses debates, defendia posições com conhecimento técnico real, e isso dava-me peso nas discussões.

Foi também a era de ouro do modding e do overclocking extremo — coisas que hoje até têm ferramentas e guias acessíveis, mas que naquela altura eram quase artes secretas.
Personalizar a caixa do computador, cortar acrílico à mão, montar sistemas de refrigeração próprios, alterar voltagens e frequências dos processadores para arrancar deles o máximo de desempenho possível. Cheguei inclusivamente a fazer parcerias e grandes projectos de modding com um grande amigo meu o Ricardo “Patuga” que é o CEO e Fundador da bem sucedida empresa COLDZERO.
Foi nesse ambiente que criei o Infortech United (ITU), que se tornou uma referência para muita gente da comunidade.

Isso trouxe-lhe reconhecimento junto das próprias marcas e lojas, certo?

Sim, tornei-me bastante cobiçado por fornecedores e marcas para fazer reviews de material — o que hoje se chamaria de “influencer”, mas na altura nem existia esse termo.
Fiz parcerias com lojas de referência como a XtremeComputers e a PCDIGA, e havia uma rivalidade saudável e constante com outras casas conhecidas da época, como a F13PC, a GlobalDATA e a AquaPC.
Os fóruns eram autênticas arenas de debate tecnológico, todos os dias. Não vou mentir que sinto muita saudade desses tempos e da vontade que existia em saber mais, aprender mais… ser aquele que mais conseguia fazer… e depois ensinar aos restantes como o fazer…

Muitos anos mais tarde, com o clima económico a mudar, muitas lojas e projectos começaram a mudar de mãos… Eu mesmo senti a mudança no ar, e acabei por vender o meu projecto o InforTech United, que viria a chamar-se “Tecnologia.pt”.
A AquaPC, acaba por desaparecer e com ela uma grande parte da comunidade entusiasta que se concentrava no fórum dessa loja.
A ExtremeComputers também acaba por desaparecer, levando também uma parte da comunidade.
Para colmatar essas grandes perdas, alguns fóruns são criados, como a VL (Virtual Legion), que durante um tempo conseguiu angariar parte dessa comunidade, mas anos mais tarde também iria fechar.

Sentiu que algo estava a mudar no panorama nacional?

Sim, senti que as redes sociais sendo novidade naquela altura, estavam a “sugar” muitos dos que estavam nessas comunidades.
As próprias lojas estavam a começar a ver as suas comunidades mais como um “peso” que uma mais valia (algo que até ao dia de hoje acho que foi um erro tremendo).
E acabou tudo por culminar numa tempestade perfeita…
A minha relação de muitos anos com a PCDIGA, acaba também por terminar, comigo em diferendo com a gestão da mesma sobre como a comunidade estava a ser tratada.
Sendo eu mesmo tratado com desrespeito por quem lá tinha acabado de cair de paraquedas e se achou acima de outros que tinham dado o seu coração e alma e feito crescer aquele projecto.

Sinto que ainda guarda uma certa mágoa de como foi tratado, acha que foi injustiçado?

Mágoa é uma palavra forte, mas na altura assumo que não compreendi porque estariam a ter aquelas posturas. No entanto quando eles acabam por terminar com a sua própria comunidade para dar primazia ás redes sociais tudo fez sentido para mim…
Tenho que dizer que esta situação já aconteceu á muito tempo atrás, pelo que eu pessoalmente já não tenho qualquer relação com o Staff da PCDIGA e apenas posso-lhes desejar as melhores sortes profissionais.
Mas como se costuma dizer, quando se fecha uma porta, abre-se uma janela! E com a minha saída da comunidade da PCDIGA, acabo por ser convidado por uma pessoa que conhecia todo o meu percurso e que tinha aberto muito recentemente um novo fórum.
Pessoa essa que se tornou grande amigo meu. Esse projecto tinha um nome… Forum Portugal-tech e começou a sua atividade em 2013!

Acaba por ser um recomeço para si?

Nesse aspecto sim, senti-me revigorado e senti que estávamos a construir ali algo especial, criamos um design muito semelhante ao que tinha existido num outro fórum que deixou muitas saudades a muitos entusiastas a “Techzone”.
E de facto a comunidade aderiu e o projecto cresceu e vigorou por muitos anos… curiosamente mais de uma década!
Mas mesmo os melhores projectos, não conseguem competir contra uma realidade evidente aqui em Portugal.
É que os poucos entusiastas que foram ficando, foram envelhecendo e foram fazendo as suas vidas pessoais e profissionais.
E a nova geração já não olhou para os fóruns como a geração anterior olhava… As redes sociais com os seus “instant clicks” e o apelo pelos vídeos rápidos, fizeram com que os fóruns fossem perdendo utilizadores até chegar a um ponto onde meia dúzia (eu incluindo), lutavam por manter a luz acesa.
No fim eu acabei por terminar o fórum Portugal-Tech, mas com o sentimento de dever cumprido e de dentro do que eu podia e sabia ter ajudado muitos utilizadores e ter criado uma comunidade que durante um tempo se sentiu acarinhada e viva mesmo quando os tempos claramente estavam a mudar…

Então e hoje em dia onde anda o Lord Paulus Cobris?

O Lord Paulus Cobris (LPC) continua bem vivo e sempre com o gosto e a vontade sempre… sou claro mais velho com 45 anos, mas o gostinho pelos jogos e pelo hardware nunca morreu.
Estou semi-aposentado digamos assim… Antes de desativar o Portugal-Tech, transferi os meus projectos atuais para outro fórum que eu reconheço como um dos melhores actualmente no mundo.
Falo do fórum da TPU (TechPower UP). Podem-me encontrar lá na secção dos projectos e ver o que eu tenho actualmente em actividade.
No entanto também estamos á data desta reportagem (18 de Julho de 2026), a passar uma fase muito má para o gamer ou o utilizador novato que está a tentar montar o seu primeiro PC, ou até actualizar o seu existente… O custo dos componentes está bastante proibitivo, o que está a fazer a “master race” colapse um pouco em cota de mercado.
Mas tenho esperança que no futuro as coisas possam melhorar e possa novamente surgir mais uma geração de entusiastas e gamers dedicados como aconteceu com a minha geração!


Uma folha de Excel desatualizada e o nascimento da PTServers.

Voltando agora um pouco mais atrás no tempo…
Contou-me que as coisas surgiram de forma um pouco peculiar!
E que foi nesse ambiente que surgiu a oportunidade de entrar no negócio de alojamento web?

Hehe, sim é verdade! A minha entrada para o mundo do webhosting acontece um pouco por acidente até!
Foram dois conhecidos meus da “scene” do overclocking e que nos conhecíamos dos fóruns da XtremeComputers, PCDIGA e TECHZONE.
Surgiu um convite para entrar para um projecto que envolvia computadores mas transformados em servidores, e redes e vender espaço para meter sites!
Assumo que fiquei bastante intrigado sobre esse mundo que eu não conhecia… Mal eu sabia que eles mesmo também não o conheciam bem…
Porque afinal o que era um servidor era apenas uma pequena VPS!

Acabei então por entrar para uma sociedade com esse dois sócios — a PTSolutions, que depois passou a chamar-se PT-Hosting. Isto foi em 2003, e éramos todos muito jovens.
A organização, sinceramente, era quase inexistente: não havia sequer um site e o que eles diziam que era um servidor era apenas uma VPS ou seja um Servidor Virtual dentro de outra máquina.
O que existia era uma folha de Excel, que muitas vezes nem sequer estava atualizada. Não se sabia bem quando é que cada cliente tinha renovado o serviço, nem exatamente quanto pagava.

Mas havia uma coisa que compensava toda essa desorganização: havia procura…
Muita procura. E eu comecei a perceber que ali estava um potencial enorme para crescer, se a coisa fosse feita a sério.

E foi aí que assumiu a liderança?

Sim — como era eu quem tinha mais conhecimento de hardware e software dos três, acabei por assumir naturalmente essa posição.
Criámos o primeiro site da PTServers, e escolhemos esse nome precisamente para tornar a marca e os produtos mais reconhecíveis junto do público.
Já não era só “uns amigos que alojam sites”, era uma marca a sério.
E isso claro teve dividendos imediatos! Os pedidos começaram a crescer e as necessidades técnicas também. De repente uma VPS já não era suficiente, e tivemos que investir no nosso primeiro servidor (um computador feito com peças normais e vários discos mecanicos SCSI ligados a uma controladora)!.
Sim era mesmo muito arcaico comparado com o que existe hoje! Mas a verdade é que funcionava e o custo relativamente barato do material dava-nos ali uma pequena vantagem competitiva que permitiu crescer muito rápido nos primeiros tempos.

Mas a sociedade original não durou.

É verdade… Não durou…
O meu esforço não estava a ser distribuído de forma justa entre os três sócios. Um deles estava bastante ausente do dia a dia, e acabou por perceber que aquilo não era o que queria para o seu futuro — decidiu sair. Eu e o outro sócio comprámos-lhe a parte dele.

Com o tempo, porém, surgiu um problema diferente com o sócio que ficou. A função dele era simples: gerir os emails dos clientes e fazer a triagem inicial — enquanto eu ficava com a parte financeira e o apoio técnico direto.
Só que, progressivamente, ele começou a desleixar-se nessa responsabilidade. Emails de clientes a pedir ajuda urgente e até pedidos de orçamentos que iam para aqueles emails por engano, ficavam por ler durante dias seguidos.
Isso é inaceitável num negócio como o nosso, onde a confiança do cliente depende de resposta rápida.

Como resolveu essa situação?

Chegou a um ponto em que o confrontei diretamente — disse-lhe, sem rodeios, que se voltasse a falhar daquela forma, eu iria destituí-lo das funções e comprar-lhe a cota.
Ele respondeu que não era preciso preocupação, que ia melhorar. Mas ao final desse ano, continuava exatamente na mesma, a falhar.
Tentei de tudo com ele… Tentei-lhe mostrar o potencial de crescimento, o futuro que poderia haver aqui, mas senti que ele não estava com a mesma visão que eu tinha para o projecto.
E, curiosamente, acabou por ser ele próprio a vir ter comigo negociar a sua saída da empresa.

Com o controlo total nas minhas mãos, implementei as regras que sentia serem necessárias, reestruturei tudo aquilo que precisava de ser mexido.
Com um crescimento exponencial na ordem dos dois dígitos ao ano a PTServers estava literalmente lançada no espaço!
Começamos a conseguir captar as rádios online e também o online gaming (novidade na altura) onde eram feitas “Lan Parties”.
A PTServers teve uma projecção comercial fantástica e isso levou-me a também adquirir outra empresa do ramo a “TEKTUGA”, onde absorvi a sua infra-estrutura e carteira de clientes, consolidando ainda mais a PTServers.
Desse crescimento achei que o projecto tinha tudo para dar um salto arriscado em frente mudando o seu nome comercial (que estava em colisão na altura com a PT PRIME).

E assim o projeto renasce com um nome novo, que carrega até hoje: Trignosfera.


Honestidade, transparência, e o lugar do cliente…

De onde vêm os princípios que ainda hoje definem a Trignosfera — a transparência, a política de “sem overselling”?

Desde o início que me guiei por princípios que, para mim, nunca foram negociáveis: honestidade, transparência, e a capacidade de me colocar do lado do cliente para perceber verdadeiramente o que ele precisa — não o que seria mais fácil ou mais lucrativo para mim vender-lhe.

Sempre tentei que os meus planos fossem ajustados às necessidades reais das pessoas, e não apenas àquilo que eu definia internamente como objetivos de venda.
Isso é uma diferença subtil, mas que muda tudo na forma como se constrói confiança ao longo de décadas, não apenas ao longo de um contrato.

Quis, desde o início, que o caos que herdei — literalmente, aquela folha de Excel desatualizada — se transformasse em ordem, e que essa ordem, mais tarde, se transformasse em otimização real.
Também assumo que no caminho para o crescimento tive a sorte de me rodear de pessoas de confiança e com capacidade excepcional!
Parceiros que foram importantes nas diferentes alturas da vida da PTServers e depois da Trignosfera. Falo por exemplo da Empresa Visual Fusion!
Essa empresa que acabou comprada pelo grupo da Clara.net, foi instrumental para mim, pois permitiu-me ter acesso a recursos de hardware e competência humana que de outra forma não teria.
Posteriormente segui outro caminho e acabei por me juntar a um dos parceiros mais importantes que tive… a PTISP.
Na PTISP da altura, encontrei na pessoa do Luís Inverno, um parceiro e amigo excepcional. Sempre esteve lá para mim em todos os momentos e com a dimensão que ele tinha no mercado, permitiu-me manter a rota do crescimento sustentado, acedendo a tecnologias de ponta, acesso a colaboradores de excepcional qualidade técnica e humana, como o Eduardo Silvestre (o seu Sysadmin da altura).
Actualmente muito mudou na trignosfera! Vimos os sinais que o mercado nos estava a dar e deslocalizamos os nossos servidores e infra-estrutura para o centro e norte da Europa. Nomeadamente para a Alemanha e posteriormente para a Finlândia.
Diversificamos as nossas parcerias firmando um acordo de mercado com a Hertzner um dos maiores players europeus a nível de datacenters.
Com a venda da PTISP ao grupo team.blue, o Luis Inverno seguiu um outro caminho que por alinhamento das estrelas acaba-se por cruzar novamente com a Trignosfera.
A sua nova empresa a CLML surgiu como a escolha óbvia para nos assessoriar e nos dar aquele conhecimento e capacidade extra que só pessoas como ele e a sua equipa me poderiam dar.
E assim e até hoje temos uma excelente relação pessoal e profissional e eu não posso estar mais satisfeito com tudo o que nós temos conseguido quer em conjunto como em projectos separados!
Com estas escolhas, a Trignosfera acabou por conseguir desenvolver as suas tecnologias modulares e conseguir garantir que os nossos clientes conseguem SEMPRE ter acesso ás melhores tecnologias e capital humano possível.

Por isso e olhando para trás, penso sinceramente que tem sido um trabalho muito bem conseguido ao longo de todos estes anos.


Três eras, um só compromisso!

“Ao Longo destas décadas, Paulo Eduardo viu o mercado mudar completamente”.

Olhando para os mais de 22 anos de Trignosfera, o que lhe dá mais orgulho?

Antes de mais, o reconhecimento do trabalho feito. Ter clientes que estão comigo há 22 anos — isso, por si só, diz tudo sobre a relação de confiança que se construiu. Não é fácil manter alguém como cliente durante duas décadas inteiras, num setor onde a concorrência de preço é feroz.

Guardo também com muito carinho algumas parcerias marcantes — como a que fiz com os Anjos, o grupo musical. Numa determinada altura, eles resolveram fazer um vídeo de agradecimento à Trignosfera, algo que me tocou bastante, vindo de um nome tão conhecido do público português.

Como descreveria a evolução da empresa ao longo destas décadas?

Costumo dividir a história da Trignosfera em três grandes fases. Entre 2004 e 2009, vivemos os anos de ouro — foi um período de crescimento rápido, de afirmação no mercado nacional, de construir de raiz aquilo que a marca viria a representar.
Foi um período marcado por um crescimento acelerado e pela criação das bases do que é hoje a Trignosfera. Uma enorme carteira de clientes foi construida durante esses anos.
E só posso agradecer aos meus clientes dessa altura que acreditaram que era possível fazer diferente e melhor!

Entre 2010 e 2020, entrámos numa fase de consolidação. O mercado já não crescia à mesma velocidade desenfreada dos primeiros anos, e a prioridade passou a ser solidificar o que já tínhamos construído, refinar processos, e garantir que a qualidade acompanhava o crescimento, em vez de ser sacrificada por ele.
As sucessivas crises dizimaram por várias vezes a carteira de clientes da Trignosfera, mas com muito trabalho e sem comprometermos os nossos valores, conseguimos recuperar e avançar para a frente.
Vi nessa década muitas empresas que tinham arrancado na mesma altura que e Trignosfera, ficarem pelo caminho, falidas ou absorvidas por outras maiores… Mas a Trignosfera por cá continuou!

E desde 2021 até hoje, em 2026, temos vivido uma fase que descrevo como de reinvenção e crescimento mais controlado.
O mercado de alojamento web em Portugal amadureceu bastante — é um mercado muito mais calmo do que era no início dos anos 2000, mas também mais exigente. Adaptámo-nos a isso sem perder aquilo que sempre nos definiu. Não minto dizendo que não existiu desafios… existem sempre!

Em especial quando vivemos num mercado monopolizado por uma grande empresa que nem é Portuguesa, mas que comprou as 3 grandes empresas do sector, controlando assim 80% do mercado do hosting em Portugal. Os restantes 20% são divididos pelas restantes empresas independentes que acredito que tal como a Trignosfera lutam diariamente para se manterem relevantes e conseguirem aos poucos recuperar mercado aos 80% que estão monopolizados.

Temos que ser inteligentes e lutarmos com as armas que nos são possíveis usar… Termos capacidade de nos diferenciar do vizinho do lado e conseguirmos que o cliente perceba porque é tão importante não ir atrás dos preços ilusóriamente baixos ou mesmo pelas ofertas demasiado boas para serem verdade.
Assumo que o que é mais dificil explicar aos novos clientes é porque um plano nosso que não tem overselling (logo tem menos capacidade real alocada), custa o mesmo que um plano com centenas de gigas e muitas vezes “ilimitados”.
Existe ainda muita info-exclusão e info-ignorância para estes assuntos e por vezes é tentador meter tudo no mesmo saco e dizer que todas as empresas de webhosting são iguais, apenas umas cobram mais que outras… Mas um cliente mais informado irá perceber que tal não será assim…


O que vem a seguir para a Trignosfera?

“Para Paulo Eduardo, o objetivo é claro…”

E olhando para a frente, o que podemos esperar da Trignosfera nos próximos anos?

O futuro passa por consolidar os recursos que já temos, e por otimizar cada vez mais a nossa oferta, sempre virada para as necessidades reais de cada cliente — não para um catálogo genérico de planos que serve toda a gente mal e ninguém bem.

Vamos continuar a investir em equipamento cada vez melhor, a integração da inteligência artificial no nosso dia a dia operacional vai continuar também a crescer de forma ponderada, mas sempre com supervisão humana, nunca substituindo o contacto direto que sempre caracterizou a Trignosfera.
É muito importante sabermos valorizar os nossos parceiros estratégicos e com eles criar uma sinergia de interesses comuns.

O meu objetivo, no fundo, é simples de descrever, mesmo sendo difícil de executar todos os dias: continuar a crescer a Trignosfera ao seu próprio ritmo, sabendo perfeitamente que as condições de mercado de hoje já não são as mesmas que existiam há duas décadas.
Mas quem procura qualidade real, a um preço justo, sem letras pequenas, sabe bem que a Trignosfera continua a ser a escolha certa.


Entrevista conduzida pela equipa Trignosfera.

Paulo Eduardo é fundador e CEO da Trignosfera desde 2004.